Resposta rápida: Pode estragar, sim, quando a cerca fica sem revisão. A maresia leva sal e umidade ao ar e acelera a ferrugem, principalmente em peças de aço e de cobre, nas emendas e nas conexões da cerca elétrica. A saída é olhar a cerca do lado de fora com regularidade e deixar a revisão para o técnico. A Fênix Protege recomenda revisar a cada 6 a 12 meses, e perto do mar, mais perto dos 6.
A maresia estraga a cerca elétrica?
Pode, sim. Maresia é o ar do litoral carregado de sal e de umidade, e o sal acelera a ferrugem nos metais. A cerca elétrica é feita de metal e fica ao ar livre o ano inteiro, então ela sente o ar do mar como qualquer outra peça de metal da casa.
Dois estudos brasileiros ajudam a entender o tamanho disso. Eles medem pedaços de metal, e não cercas elétricas, mas mostram como os materiais que a cerca usa se comportam perto do mar:
- Subestações de energia no Rio Grande do Sul. Num estudo da UFRGS, metais ficaram expostos em três subestações no litoral e uma em Porto Alegre. O aço e o cobre sofreram mais no litoral, e a pesquisa liga essas taxas altas de corrosão à maresia. Já o zinco e o aço galvanizado sofreram mais na capital, que não tem maresia.
- Costa do Sauípe, na Bahia. Num trabalho da UFPR, metais ficaram expostos por cerca de um ano. O ar foi classificado como marinho, de agressividade alta. O alumínio foi o material que melhor resistiu, seguido do aço galvanizado.
Na prática, perto do mar merecem mais atenção as peças de aço e de cobre e os pontos onde um metal encosta em outro. O fio galvanizado e as peças de alumínio costumam se sair melhor. O desgaste é lento, e a conferência regular pega o problema ainda no começo.
A maresia do litoral baiano é pior do que a de outros lugares?
Nas fontes consultadas, não há dado que mostre isso. O trabalho da UFPR comparou a costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia, com uma praia do Paraná, e só o cobre estragou mais na Bahia. O que ele mostra é um ar marinho de agressividade alta, com vento vindo do oceano na maior parte do tempo e umidade média acima de 80% ao longo do ano.
Nas fontes consultadas, também não aparece uma época do ano pior, e por isso não dá para apontar um mês de maior risco com segurança. O mais seguro é conferir a cerca com regularidade, e não só depois de uma ventania ou de uma temporada de chuva.
O que a maresia desgasta primeiro na cerca elétrica?
Os pontos que mais merecem atenção estão na tabela abaixo. As partes de ferro e de cobre e as ligações entre peças vêm primeiro:
| Peça | O que pode acontecer | O que você vê |
|---|---|---|
| Emendas e conexões | Oxidam e passam a conduzir mal a energia | Ponto escurecido ou com ferrugem, choque fraco mais adiante |
| Fios | Fio velho e enferrujado, com muitas emendas, conduz mal o choque | Fio com manchas de ferrugem, frouxo ou arrebentado |
| Hastes e parafusos | As de ferro podem enferrujar (as de alumínio resistem melhor) | Manchas marrons e parafuso enferrujado |
| Isoladores | Peça de plástico que isola o fio da haste; se rachar, a energia vaza | Rachadura, peça solta ou quebrada |
| Central | O fabricante pede um lugar protegido da chuva, do sol e da umidade | Caixa mal fechada, sinal de água ou ferrugem na caixa |
| Aterramento | As hastes cobreadas ficam enterradas, e a conferência das ligações é do técnico | Quase nada à vista; choque fraco e disparos sem motivo |
A cartilha da Embrapa sobre cerca elétrica é voltada ao pasto, mas o alerta serve para qualquer cerca: nunca conecte fio de cobre com arame galvanizado, porque eles oxidam e isolam a emenda, e a ligação mal feita gera faísca e oxidação. Ela também lista como erro comum usar arame velho e enferrujado, com muitas emendas, que não conduz bem o choque.
O manual do eletrificador Intelbras ELC 6012 NET diz que as hastes são de alumínio chato ou em cantoneira, podem ser de ferro, e que os isoladores são de polipropileno. Ele também cita “emendas expostas ou oxidadas” entre as condições não ideais de uma instalação.
O que posso conferir sozinho, do lado de fora?
Olhe sempre de longe e sem encostar nos fios. Passando pela cerca, observe:
- Ferrugem ou manchas marrons nas hastes, nos parafusos e na caixa da central.
- Emendas e conexões escurecidas, com aspecto de ferrugem ou soltas.
- Fio com ferrugem, frouxo, esticado demais ou arrebentado.
- Isolador rachado, solto ou quebrado.
- Mato, galho ou folhagem a menos de 15 cm do fio. É a distância que o manual da Intelbras pede entre a vegetação e a fiação.
- A caixa da central bem fechada, sem sinal de água, e com a luz ou o aviso de sempre.
Se o mato precisa sair, desligue antes. O manual da Intelbras pede desligar a central da rede elétrica e também da bateria para afastar qualquer coisa da fiação. Na dúvida, deixe com o técnico.
Achou algo estranho? Tire uma foto de perto e outra de longe. Isso ajuda muito na hora de pedir o orçamento.
Que sinais mostram que algo está errado?
Nem todo problema aparece à vista. Fique atento a estes sinais de comportamento:
- Choque mais fraco do que o de costume em algum trecho.
- Sirene que dispara sem motivo, principalmente em dia de chuva, neblina ou vento.
- Aviso novo na central ou no aplicativo, se a sua cerca tem monitoramento pelo celular.
- Ferrugem à vista em emenda, fio ou haste.
Se a sirene está disparando sozinha, leia por que a cerca elétrica dispara sozinha. E, se você usa o aplicativo, veja como monitorar a cerca elétrica pelo celular.
O que fica para o técnico?
Olhar é com você. Mexer é com o técnico. O manual da Intelbras diz que a instalação deve ser feita por técnico especializado e que, antes de qualquer manutenção ou vistoria, a rede elétrica e a bateria precisam ser desligadas. A Embrapa também lembra que consertos e manutenção do eletrificador só podem ser feitos pelo fabricante ou por profissional autorizado.
Na prática, fica com o técnico:
- Abrir a central, mexer na bateria e em qualquer regulagem.
- Refazer emendas e conexões que oxidaram.
- Trocar fio, isolador e haste que estão castigados.
- Conferir o aterramento e testar o choque ao longo da cerca.
Para ver o que entra em cada revisão, leia o artigo sobre manutenção de cerca elétrica.
De quanto em quanto tempo conferir a cerca perto do mar?
Existem dois olhares. O seu é rápido e frequente: dê uma olhada sempre que passar pela cerca, depois de temporal ou de ventania forte, e a qualquer sinal diferente.
O do técnico é a revisão. A recomendação da Fênix Protege é fazer a revisão a cada 6 a 12 meses, de preferência antes do período de chuva. Cerca longa, com muita vegetação por perto ou em lugar de chuva forte pede revisão mais perto dos 6 meses, e quem mora perto do mar entra nesse grupo.
Tem casa de praia que fica fechada boa parte do ano? Aí a revisão vale mais ainda antes de fechar a casa. O roteiro está em como proteger a casa de praia vazia.
Os manuais dos fabricantes não fixam um prazo em meses. O que eles pedem é que a instalação seja examinada com frequência, e a faixa de 6 a 12 meses é um jeito prático de colocar essa conferência na agenda.
Como proteger a cerca elétrica da maresia?
Não existe cuidado que impeça o ar do mar de agir. O que existe é escolher bem as peças e acompanhar o desgaste:
- Material próprio para cerca elétrica. A Embrapa recomenda que eletrificador, isoladores, arame e acessórios sejam feitos para essa aplicação. No orçamento, pergunte de que material são as hastes, os fios e as conexões.
- Cobre e arame galvanizado separados. Juntos, eles oxidam e isolam a emenda.
- Ligações bem feitas e firmes. Conexão frouxa faz faísca, e a faísca acelera a oxidação.
- Central protegida. Sempre que possível, em lugar abrigado do sol, da chuva e da umidade, como pedem o manual da Intelbras e a Embrapa.
- Mato longe do fio, a pelo menos 15 cm.
- Revisão em dia e troca da peça castigada, antes que o desgaste enfraqueça o choque.
Se a sua cerca está há alguns anos perto do mar, a revisão é o jeito mais simples de pegar o desgaste cedo.
Perguntas frequentes
A maresia estraga a cerca elétrica? +
Pode estragar quando a cerca fica sem revisão. A maresia leva sal e umidade ao ar e acelera a ferrugem, principalmente em peças de aço e de cobre, nas emendas e nas conexões. Com conferência regular do lado de fora e revisão do técnico, o desgaste é pego cedo.
O que a maresia desgasta primeiro na cerca elétrica? +
Os pontos que mais merecem atenção são as emendas e conexões, os fios velhos, as hastes e parafusos de ferro, os isoladores rachados e a caixa da central. A Embrapa avisa que emenda oxidada isola a passagem de energia, e que arame velho e enferrujado, com muitas emendas, não conduz bem o choque.
Cerca elétrica perto do mar precisa de revisão mais frequente? +
A recomendação da Fênix Protege é revisar a cerca a cada 6 a 12 meses, de preferência antes do período de chuva, e ficar mais perto de 6 meses em cerca longa, com muita vegetação ou em lugar de chuva forte, o que inclui quem mora perto do mar. Os manuais dos fabricantes não fixam um prazo em meses.
Posso limpar ou mexer na cerca elétrica sozinho? +
Você pode olhar a cerca de longe, sem encostar nos fios, e tirar fotos do que achar estranho. Para afastar mato ou galho da fiação, o manual da Intelbras pede desligar a central da rede elétrica e da bateria. Abrir a central, trocar peça e refazer emenda é serviço de técnico.
Dá para ter cerca elétrica perto do mar? +
Dá. Perto do mar, vale escolher material próprio para cerca elétrica, evitar juntar cobre com arame galvanizado, proteger a central da chuva e da umidade e manter a revisão em dia.
Equipe Fênix Protege
Especializada em cerca elétrica residencial, comercial e rural, atende a região da Estrada do Coco (Bahia) há 11 anos. Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação técnica presencial da sua cerca.